APA alerta que mais de metade do lixo produzido em Portugal vai para aterro.
Três milhões de toneladas de resíduos urbanos acabam todos os anos em aterros sanitários – ou seja, mais de metade do lixo descartado em Portugal anualmente, alertou esta segunda-feira aAgência Portuguesa do Ambiente (APA) ao lançar a segunda fase de uma campanha desensibilização para este problema “monumental”.
Sob o lema “Vamos separar o lixo antes que o futuro se lixe ”, a campanha aposta numa estratégia multimédia que inclui televisão, rádio, outdoors e plataformas digitais, procurando sensibilizar os cidadãos para a urgência da separação e do encaminhamento adequado dos resíduos domésticos.
Na campanha televisiva, um guia turístico conduz um tuk-tuk pelas ruas de Lisboa, apresentando monumentos emblemáticos como o Palácio Nacional da Ajuda e o Mosteiro dos Jerónimos, até revelar um “monumento inesperado”: uma massa colossal de resíduos urbanos, que procura ilustrar as três milhões de toneladas que, todos os anos, são depositadas em aterro.
A campanha serve de alerta para a falta de separação que esgota a capacidade dos aterros nacionais e compromete a sustentabilidade , de acordo comum a nota de imprensa da APA. A entidade sublinha que a solução está ao alcance de todos e passa pela separação correcta de vidro, embalagens de plástico e metal, papel e cartão, bem como biorresíduos – restos de comida e resíduos verdes –, para posterior reciclagem.
Em plena época de saldos, a campanha incluirá acções no Centro Comercial Colombo, em Lisboa, entre 13 e 18 de Janeiro, e no Norte Shopping (do grupo Sonae, dono do PÚBLICO), em Matosinhos, de 27 de Janeiro a 1 de Fevereiro, com um espaço informativo dedicado aos biorresíduos, jogos pedagógicos para crianças e um quiz sobre reciclagem.
Corrida para cumprir metas
A campanha Vamos Lixar o Lixo terá uma duração prevista de 15 meses e teve um investimento de 4,3 milhões de euros. A ambição da APA é alavancar um um“movimento social” capaz de alterar os hábitos de reciclagem dos portugueses e reduzir a enorme dependência actual dos aterros sanitários. Esta iniciativa integra ainda um esforço em contra-relógio para, até 2030, cumprir as metas europeias de sustentabilidade.
Vários aterros portugueses estão a aproximar-se do limite da capacidade Além disso, a maioria dessas estruturas em Portugal funciona à margem da lei nacional e das regras europeias, recebendo resíduos urbanos indiferenciados sem que estes sejam sujeitos à separação e estabilização da matéria orgânica. A associação ambientalista Zero denunciou à Comissão Europeia em Novembro o funcionamento ilegal de 28 dos 31 aterros nacionais.
De um total de 5,3 milhões de toneladas de resíduos urbanos, 14% são reciclados, 8% vão para valorização orgânica, 12% para valorização energética e 59% para deposição em aterro. A associação ambientalista Zero defende uma maior aposta na valorização orgânica (em detrimento da incineração ) através do aumento da capacidade e eficiência do tratamento mecânico e biológico nos aterros sanitários.